| Executivos Expatriados
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Reconhecendo a dificuldade de expatriados e familiares de organizar seu
hábito alimentar, bem como a compra de alimentos, preparo, adaptação alimentar às
situações momentâneas durante a expatriação, oferecemos atendimento nutricional
e consultoria para oferecer conforto e conhecimento para este momento tão especial.
Disponibilizamos:
- Atendimento Nutricional Individualizado;
- Atendimento Nutricional Familiar;
- Orientação para compra de supermercado;
- Orientação de ajudantes do lar e babás;
- Conheça também o Nutribuy.
Atendimento em português e inglês.
Expatriação e expatriado são palavras que têm, em português, uma conotação triste
e melancólica, pois significam: exílio, desterro, expulsão ou banimento da pátria.
O mesmo não ocorre nos idiomas inglês e francês, cuja significação é praticamente
“neutra”, ou seja, ir residir em outro país, o que pode ser provavelmente explicado
pela história colonizadora protagonizada pela França, Inglaterra e, mais recentemente,
pelos Estados Unidos. No mundo das profissões destacaram-se os militares e os diplomatas,
cuja natureza profissional exigia a permanência em outras terras durante um determinado
tempo, fosse para fazer a guerra ou a paz.
Diferente dos antigos viajantes, que deram origem aos historiadores e aos antropólogos,
os atuais executivos mais se assemelham aos grandes descobridores:
mapeiam territórios ou mercados, estudam e aprendem certos aspectos da cultura local
para facilitar o convívio, analisam e exploram as oportunidades existentes para
o grande patrocinador. De outra forma, os executivos expatriados estão a serviço
e agem em nome de uma empresa. São homens de ação.
A expatriação tem sido uma alternativa praticada pelas grandes empresas transnacionais
especialmente na última década. O que chamamos de expatriação é o processo de transferência
de um profissional de uma empresa, sediada num país, para trabalhar, por tempo determinado
ou não, em uma unidade desta empresa ou grupo, localizada em outro país.
Trata-se de um processo caro, pois implica em uma série de custos para atrair os
melhores candidatos; é um processo demorado, uma vez que apreender um novo código
cultural e construir uma nova forma de vida não se faz de um dia para o outro; é
um processo arriscado, pois ainda não inventou-se um método de seleção infalível
e que considere o ser humano na sua complexidade, de forma a se controlar antecipadamente
e/ou posteriormente as variáveis subjetivas que afetarão ou que afetam o seu desempenho.
Nesta fase, que ocorre nos primeiros meses, não é incomum o executivo dedicar-se
de corpo e alma à empresa, trabalhando 12 ou 14 horas por dia, numa tentativa ansiosa
de tudo compreender para exercer algum tipo de controle. E é nesse momento que se
rompe sua rotina alimentar e a nutrição que já não é mais foco na sociedade moderna
em detrimento da vida atribulada, perde totalmente seu espaço e importância. Se
ele tem esposa e filhos, esta ausência não poderia ser mais inoportuna, pois estes
estão tão ou mais perdidos que ele, uma vez que não têm praticamente nenhum contato
externo. Os solteiros podem recorrer a este expediente especialmente como uma forma
de evitar reconhecer o medo do desconhecido, de ter que se confrontar com o estabelecimento
de uma rotina pessoal na qual ele ainda não decifra grandes coisas do cotidiano
e não conta com ninguém. Como todas as questões domésticas (por exemplo: não conhecer
os supermercados, nem mesmo saber o nome de produtos disponíveis e onde encontrá-los)
assumem uma relevância enorme. Uma prática que tende a se tornar cada vez mais comum
é a de se morar temporariamente em hotéis e flats. Esta é uma alternativa que pode
funcionar bem por algum tempo, porém logo em seguida o peso da impessoalidade de
uma estada de longo prazo (2 ou 3 anos) é grande. A esposa do executivo expatriado
normalmente perde a estrutura de seu lar e, não há mais seus utensílios domésticos,
uma cozinha montada a seu modo e portanto, a alimentação não obedece mais à sua
cultura, forma de preparo culinário, preferências, etc.
Assim, o tempo disponibilizado para a empresa, o pouco tempo para dedicar-se aos
cuidados com a alimentação, a falta de uma cozinha para compra, escolha e preparo
dos alimentos, acarreta maior consumo de alimentos industrializados ou ingredientes
não saudáveis, ou mesmo, preparações culinárias inadequadas para consumo freqüente,
gerando maior consumo de calorias, sódio, gorduras, gorduras saturadas, colesterol
e um menor consumo de fibras, vitaminas, minerais e nutrientes antioxidantes e funcionais.
Além disso, viver uma situação de insatisfação durável, desamparo e sentimento de
abandono pode causar um elevado grau de stress e conseqüentemente: alteração nos
padrões de sono, irritabilidade, depressão, enxaquecas e crise de ansiedade, hipersensibilidade,
inabilidade para se relacionar com colegas e fazer amizades. Esse panorama então,
é um celeiro fértil para maior prevalência de doenças crônico-degenerativas, como
obesidade, diabetes, hipertensão, doenças cardiovasculares, etc.
Em casos mais acentuados, a insatisfação e o desencanto podem levar à apatia e à
infelicidade, que por sua vez podem conduzir ao abuso de álcool e drogas, o que
intensificará o círculo vicioso.
Pessoas residentes em outros países como França por exemplo, costumam passear em
parques, realizar caminhadas e almoçar em suas casas no domingo, mas quando chegam
ao Brasil, deparam-se com grandiosos churrascos que duram o dia todo, levando-os
muitas vezes ao sobrepeso e obesidade e dislipidemias antes inexistentes.
Fonte adaptada:
“Como vivem os executivos expatriados e sua famílias ?” – Maria Ester de Freitas
– FGV-EAESP